quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Vamos escrever os livros dos nossos filhos?

Sempre tive essa vontade secreta: escrever. E de fato, na gravidez, escrevi um livro pra minha filha.

Primeiro rascunho que nasceu essa madrugada...
Eis que essa noite, escrevi o segundo e pensei: e se a gente pudesse fazer isso juntos? Mães, pais, avós, amigos, padrinhos, toda a família? Escrever os livros que nossos filhos vão ler, com histórias pessoais, do dia a dia da criança, da realidade dela...

Bom, é uma ideia embrionária que está hoje no laboratório da minha empresa. E enquanto prototipo o projeto na Formiga, resolvi compartilhar o meu primeiro livro colaborativo com vocês. E ver se mais gente topa, e ver se vocês gostam, e ver a cara da Lis enquanto mostro o livro pra ela no Ipad...

Já to achando que valeu a pena. ;)

Para continuar a história, envia sua participação por email. Pode enviar com ou sem a ilustração. A gente continua essa ideia juntos e, daqui a pouco, lanço o volume 2, com um pouquinho de história vinda de cada um de vocês. Como um presente pra Lis (e pros nossos filhos).


Vem comigo, gente?

Com amor,
Mamai

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Mãe sem culpa

Meses se passaram e o mundo espera o post que vai enfim vai trazer aquele desabafo sofrido sobre a dificuldade maior em ser mãe.

Bom, anotei aqui e a pior parte de ter filho é:

- dormir uma noite inteira...  Não.
- ter vida a dois de novo? Não.
- iniciar a alimentação do bebê? Não
- arrumar a casa, trabalhar, voltar a vida normal? Não!

Pasmada. Minha filha fez 6 meses e a maior dificuldade que encontrei até agora com o nascimento dela não tem porra nenhuma a ver com ela.

Doidas, desalmadas e atrevidas.
A merda maior é enfrentar o mundo revoltado que você é uma mãe sem medo, sem culpa e sem neura. E mais: que você não quer disputar filho, nem educação, nem crença. E pior ainda: que você não tem dó da sua filha e muito menos de você mesma. Que horror!

Uma mãe que coloca roupa de menino na menina.
Se você não se veste de branco com o cabelão comprido, não compra uma enorme mala rosa com o mundo do bebê la dentro, se você não demora 3 horas pra sair de casa com medo de esquecer alguma coisa, se você não chicoteia as costas a cada decisão que toma com relação ao seu filho ou quando não faz amizade imediata com qualquer mulher com criança no colo: PARA TUDO que você é uma mãe LARGADA.

Toxic Girl
Se você não reclama, não está surtada o tempo todo choramingando a nova vida, se volta a trabalhar normalmente porque ama trabalhar tanto quanto ama seu filho (e pode amar algo tanto quanto um filho? - a resposta num outro post), se opta por não se enfurnar 6 meses em casa desenhando uma rotininha pra criança que nem ela aguenta, se você acha que licença maternidade só existe porque empregos desrespeitosos existem, cuidado: você é uma EGOÍSTA.

Se você não vive com medo que seu bebê vai engasgar, morrer, sufocar, se você não faz escândalo quando bate um vento, quando ele acorda com uma febre, se não se descabela quando o neném chora demais e até xinga ele por isso, se ri quando erra em algum percurso diário ou quando o cachorro lambe a boca do seu filho e não se castiga porque ficou cansada e fugiu da criança que acordou 2 vezes de noite... Bom, o mundo vai te olhar feio. Muito feio!

Nossa, mãe! Como somos Stock Image...
Nossa sociedade criou um jeito de maternar que não pode existir sem ela: A CULPA. Mãe sem culpa não é mãe, não é boa mãe, não deveria nem ter tido um filho. E isso é tão absurdo que chega a doer. Ver mães desesperadas, adestradas, competitivas, entrando num universo materno digno de mestrado, anotando todas as cartilhas, todos os macetes, angustiada, sem dormir, sem viver, não pelo filho em si mas pra seguir certinho o que tem que ser feito pra provar que é boa mãe. Esse é o novo mundo que está criando novas pessoas. Um exército de mães perfeitas julgadoras das outras mães malucas.


E no meio da gincana toda, fica a criança, esperando uma mãe aparecer. Ainda que brava, cansada, vomitada, descabelada ou linda, arrumada, indo pro trabalho ou o que for... Um neném espera apenas a sua mãe porque é ela que ele quer ter por perto. Ou até o resto dela, que também já serve.

E ser inteira é a melhor parte de ser mãe. Justamente por isso que todo o resto também é uma delícia. E me desculpe os que torceram pra eu estar fudida: eu nunca fui tão EU quanto SOU agora.

Eu nunca estive tão feliz. 

Fodaz, mundo! Ass: mamai

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Baby Blues x Baby Rock

Estamos de volta, agora na tão esperada e atualizada versão do app Gravidez: a versão 2.0, a.k.a. com nenem. Portanto, mais objetiva e direta que nunca.

Comece não acreditando em tudo o que tá no BabyCenter.
Baby Blues. Gata, seguinte:  joga no Google, lê tudinho, com cautela, entenda os pormenores e permita-se ter isso da sua forma, desconsiderando firmemente essa mídia ridícula aí que coloca na sua conta as merdas desse sintoma totalmente químico, ditando impropérios como: poupe seu marido, segure a onda pelo seu bebê, tente cortar o cabelo e se maquiar pra melhorar, aceite a opinião das pessoas em volta, entenda que o bebê precisa de você o tempo todo e por aí vai.  Segura a cabeleira suja que este post vai ser bem rápido, diretão, papo reto... Não pq o nenem tá me dando trabalho mas pq acho que olhar pra cara dela é mais divertido que olhar pra tela clara do pc.

You know that I'm no good...
Enfim, Baby Blues é um período relâmpago que chamei de rebordosa e sim, existe pra caraleo. Se deixe ter. A primeira coisa. Informe-se, chore, xingue, faça exatamente como seu coração manda, evite a culpa, derreta-se de culpa, acorde descabelada e se odeie, escove o dente e se ame, viva alguns dias como se fosse o Oswaldo Montenegro, fique bem maluca mesmo, não escute ninguém, não faça nada que não queira. Exatamente isso: nada. E não ache que seu nenem vai morrer por isso, por favor. E não ache que seu companheiro vai te largar. E não ache nada. Apenas seja a locona do pós parto. E fodaz tudo. Entende?
 E como não? E porque não dizer que o mundo respirava mais se ela apertava assim?
O lance é que você ficou 9 meses com os hormônios do amor lá no talo. Te chamavam de puta na rua, vc agradecia e sorria como uma fada. E então esse app bizarríssimo, chamado Gravidez, é atualizado para a nova versão 'mãe de fato'. E eis que na atualização, perde-se TODO (eu disse: TODO) o hormonão delícia de uma vez só. Olha como o desenvolvedor vacilou. Dava pra fazer a queda mais devagar? Dava. Mas não, eles decidiram tirar tudo em 10, no máximo 15 dias. E então o efeito é: uma puta deprê.

Anote aí no que consiste o Baby Blues e já, de brinde, umas dicas de como lidar (que chamei de Baby Rock, tipo: mãos a obra pra lidar com essa merda) e tomara que ajude vc, que é diferente de mim, claro:

. Vontade de chorar absurda, por tudo e por nada.
> Dica: chore tudo, a hora que quiser, pelo que quiser.

. Raiva dantesca da intromissão das pessoas na sua vida, das opiniões, do faz assim, faz assado, assim tá errado, eu fazia assim e tal.
> Dica: Poupe-se, proteja-se, afaste-se, permita-se ficar mais na sua.

. Sensação de que é muito mais complexo do que parecia e que vc não vai dar conta.
> Dica: passa rápido se vc não entrar na bad trip. Desperta geralmente quando vc vai pegar no colo e erra a mão, faz alguma cagadinha, tenta tirar a blusa da criança sem tirar a manga primeiro e esses vacilos normais. Respire e pense: em 1 mês tô dominando essa plataforma e sim, sou foda. Meu nenem me curte.

Calma lá, gente...
. Insegurança a nível de alta baixa estima.
> Dica: vai rolar de se sentir péssima. Não tem jeito. E não, o caminho não é se maquiar, fazer luzes, cortar o cabelo, fazer unha. Isso são os paliativos impostos. O lance não é por fora. É por dentro. Dê uma boa penteada no seu amor próprio, entenda e veja a grandeza de ser mulher, de ser mãe e que isso é mais foda que muita coisa que vc fazia antes. Não caia na armadilha de achar que estética resolve dialética. Pense, analise, entenda-se, resignifique-se. Não foda a si mesma nessas horas. Nunca.

. Sensação de que sua vida nunca mais vai ser a mesma.
> Dica: você está certa. Não vai mesmo. Mas olha que legal... Quem nasce, cresce, reproduz e morre sempre igual é planta. E muita gente, claro. Mas que boring, né? Tente ver a beleza de nascer de novo, junto com sua cria. Tente conhecer a sua nova versão que, com certeza, é muito mais foda que a versão passada. Esquece esse papo de nunca mais você vai ter tempo, pro resto da vida alguém vai depender de você, esqueça noite de sono, sair, tomar um porre, namorar, viver, dançar. Mentira isso, juro! Você pode e deve fazer tudo isso de novo, só que agora, muito mais livre. Porque é pra você mesma e não pros outros. Quem inventou que filho é um problema tem problema. Filho é massa se você começar não seguindo o que sua mãe conta e o que as revistas pregam. Simples assim.

Colega: essa imagem é forçada, tá?
E o mais importante, pra fechar: desconstrua, todas as vezes que puder, a Ideologia da Maternidade, como bem disse a foda da Márcia Tiburi.

Tem muitas outras coisas (deixe nos comentários mais dicas pra gente se ajudar). E pra quem prometeu que o post ia ser direto: outra prova de que a gente nem muda tanto assim. Tá aqui a mãe prolixa fazendo um post enorme em consideração a todas as mulheres desse mundo que tem a grandeza e a coragem de parir, criar, nascer de novo e fazer do mundo um lugar melhor apostando que novas pessoas trazem a esperança de novos processos, logo, novo mundo.

Já para você que pensa que filho é pra si, pra não ficar sozinha, pra fortalecer o casamento, porque tem que ter, porque tá na idade e tal e coisa: licença, tenho um tanto de coisa pra fazer e não quero ficar deprê.


Um beijo triste,
Mamai



segunda-feira, 6 de abril de 2015

Obesidez e gravidade


Pesquisas apontam (mentira, eu que estou dizendo com base numa coisa que não uso muito, mas aqui me permito: o achismo) que 78% das mulheres que descobrem que estão grávidas pensam primeiro se vão engordar e depois ficam felizes. Destas, 97% escutam as frases abaixo (da mãe, da sogra, do pai, do ex, da amiga, da vizinha e pasmem, ás vezes, do próprio marido ou garanhão que a tenha emprenhado):

- iiiiih, vai engordar
- cuidado para não ganhar muito peso na gestação
- você vai ficar enorme
- só pode engordar 8 kgs 
- eu engordei só 1kg na minha gravidez

Bem, se você chegou nesse post porque está aí, toda grávida, digitando no Google "como não engordar na gravidez", vou aproveitar sua audiência pra te dar uma real: deixa de ser imbecil, minha filha!
Nossa, como ela engordou na gravidez, cê viu, menina? Dãããã
Grossa? Eu? Não, pera, vem cá... deixa eu te explicar. Lá estou eu com 33 anos de idade, uma pessoa bem informada, feliz e livre, até que engravido. Juro que pensava que não ia acontecer comigo, mas acontece. O povo acha mais importante apontar a estética do que falar do fato simples e fácil de você estar gerando uma vida. Foi muuuuuita gente se metendo nas minhas entranhas. Siiiim, nessa hora, anos e anos de Cláudia, Boa Forma, Bem Estar, mídias em geral, essa merda toda, falaram mais alto que minha emancipação. E chega a ser surreal esse tipo de constatação no meio da enxurrada de forças absurdas da - abre aspas, que ódio, opinião pública boçal - fecha aspas com raiva, onde quilos de clichês se espalham mais rápido que os hormônios, disfarçadinhos de preocupação com a saúde.

Nasceu. O bebê ou a lipo primeiro, senhora?
Anote aí os principais:

- engordar na gravidez é ruim pra saúde da mãe e do bebê (whaaaaat? como seu útero aumenta 1000 vezes o tamanho normal, vc fica com 5 litros de sangue a mais no corpo, a gordura é estocada naturalmente no quadril para facilitar o parto e proteger o útero e engordar é ruim?)

- o aumento de peso tem que ser controlado o tempo todo (nããão, para! tem que controlar pressão, glicose, taxas basais normais, o peso nãããão. É como pedir pra mulher ficar a gravidez inteira prestando atenção na respiração que se acelerar um pouco você tá fudida...)

- tem que fazer exercício físico a gravidez inteira pra evitar estria e sobrepeso (tem que fazer pooooorra nenhuma, tem que fazer o que te deixa bem, de acordo com o que seu corpo pede. Andar se quiser, não forçar caminhada, academia, dieta merda nenhuma. A vida é simples e não é em 9 meses  e com uma barriga gigante que você vai preparar a resistência pra se sentir mais certinha como mãe, anta!)

- obesas tem problemas na hora de parir (avápaputaquepariu quem afirma isso com a boca cheia e vai ler esse blog lindo aqui ó: Mães de Peso)

No mais, preciso só te alertar que tem uma indústria ainda maior que a da beleza dentro do universo da maternidade. Porque, prenha, a mulher tende a ficar mais sensível, sugestionável (leia-se consumista: compra tudo o que mandam, mesmo sem ter condições), cheia de dúvidas e medos, tudo é novo, o corpo muda o tempo todo e tudo o que era não é mais. Você perde um pouco a memória, o senso crítico, a força mas olha, juro, o amor próprio não. Você não perde isso não, prometo!

Ai, Miga! Tô de oito meses de gestação e não tenho barriga, olha! oO
Se você entrou na paranóia do corpo bem na hora que estava gerando outro, por favor, leia de novo esse post, leia outros, assuste-se terrívelmente com isso aqui e pare pra pensar. Não estamos aqui brigando com os biotipos lindos que não ganham mesmo peso ou com as mulheres que se sentem bem malhando, nadando, correndo... não! Estamos só pedindo que você reavalie e vanglorie seu corpo, a naturalidade do processo e A VIDA antes de vangloriar impensadamente a yoga, a nutricionista terrorista de merda, a academia na promoção pra grávida, o iogurte zero com gosto de areia doce, o óleo de amêndoa de 60 reais, essa merda toda que te oprime há séculos e agora, mais do que nunca, vai querer te pegar pelo pé.

Eu vi isso, juro. Eu dei uma preocupada com engordar no começo, eu tava cega, burra e por uma fração de semanas, fiquei meio pensativa. Sorte que retomei meu EU lírico rápido e ví... Gente! É como lutar contra o óbvio. Vacas, coelhas, cachorras, mulheres, porcas, bezerras... todas as fêmeas aumentam durante a gestação e aí vem um padrão e diz: nossa, fulana está sem cintura na gravidez. É surreal, é irracional!

Pelos grupos que passei, em boa parte vi: mulheres se martirizando e fazendo posts e mais posts, comentários e mais comentários sobre seus medos de estarem engordando, e o marido não me quer, e vou ter estria e gastando tardes e tardes nessa nóia enquanto fazem nada menos que um osso! Já paramos pra pensar nisso? Estamos produzindo um osso, um sistema nervoso, UM SER HUMANO, caráleo, bem ali na nossa barriga e nos perdendo nessas preocupações impostas. E muitas mentem, dizem que não engordaram, como se fosse motivo de vergonha... Se engordar é o certo, como pode o sistema emplacar na gente o contrário? Fico até sem ar de pensar em como chegamos até aqui...

Conheça o Projeto da Jade Beall
Aceita sua bundona larga, a cintura sumindo, fica feliz, fica mulher, linda, firme, forte e flácida. A gravidade vem pra todo corpo que pisa a Terra e a obesidez que se foda. Vai ser prenha toda que, ó, quando você estiver pra parir, ou parindo, ou parido 'ce vai ver, boba...', não tem nada mais magnífico que gerar uma vida, catzo!

E colocar um ser humano no mundo, fazer dele uma pessoa de bem, passar por tudo isso como uma guerreira, diva, geradora de vida e anca... isso ninguém fala mto, coisinha. Mas, isso sim, torna uma mulher bonita, gostosa e foda pra caráleo.

Tamos combinadas?

Love,
Mamai

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

História pra não dormir

Era eu uma pedra no fundo do rio, parada, acumulando limbo de angústias e preocupações mundanas. Um dia veio ela. Numa velocidade absurda, num movimento incontrolável, me deslocando correnteza abaixo.

E então fui soltando o corpo, ficando mais limpa e começando a entender o fluxo da vida da maneira mais clara e bonita que se pode imaginar.

E olha que ainda nem desembocamos no mar...

Obrigada, Lis.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Ahhh é uma princesa!


Não. Não é uma princesa. É uma pessoa. Pelo amor de Deus, não vamos parir princesas. O mundo já está cheio demais de lendas e contos e promessas de finais felizes. A gente não precisa de um beijo no final. Todo ser humano precisa de beijos e abraços e de força o tempo inteiro. Ah, e pessoas podem cair, se machucar, ficar sujas, falar palavrão, ter medo, trocar o cavalo branco por uma bicicleta e sair pedalando por aí, descobrindo seu próprio destino. Sonhar é muito diferente de se iludir pra fugir da realidade.

Como se chama sua princesinha? Desculpe, nós não temos uma.
Por favor, não vamos coroar as meninas sem a permissão e o merecimento delas. Não vamos fazer delas seres frágeis, perfeitos, sensíveis, românticos e com milhões de adjetivos no diminutivo.  Não vamos deixar elas esperando nada. Nos contos, o príncipe sempre vai atrás do sonho. A princesa faz tudo certinho, senta e espera. Esse mundo não vai dar certo. 

Até hoje, a luta para ser respeitada no dia a dia, no mercado, na vida, dentro das nossas próprias famílias e em todos os ambientes sociais é enorme, exaustiva, silenciosa e muitas vezes, pesada. Ainda dói muito menos cair e ralar os joelhos do que não ser ouvida em uma reunião com a mesma seriedade que a fala de um homem. Ainda dói as piadas e brincadeirinhas sobre sua aparência, as cantadas disfarçadas de bom humor, os olhares de negação das outras mulheres (princesas) e a raiva que a gente causa no mundo por falar o que pensa... Só pra citar o mais leve.


Vamos proteger nossas meninas dos tombos... Não! Vamos dizer que elas um dia vão encontrar um amor. Por favor, não! Vamos ser maiores, menos egoístas, menos mães e mais amigas. O discurso de "quando você for mãe vai entender" cai por terra. Já sou mãe e não entendo. Não vou ter uma princesa. Eu vou acompanhar o nascimento, o crescimento e a transformação de uma menina em mulher, em pessoa, em alma livre. Não se escolhe o futuro de um ser humano com base na sua própria vivência errante. Tenta-se crescer junto, apoiando as escolhas, tentando orientar mas ainda sim, evoluindo para deixar escolher. Lutando para não projetar.

Nasci para vencer! Oi?
Tem tanta coisa maior para se mostrar para uma menina. E para um menino também. E pra gente mesma. É ser grande o suficiente para ser pequeno. É entender que quem escraviza é porque nasceu escravo. Só quem não tem liberdade permite prender. E formatar é prender. Deixar ser livre dói tão mais... mas é a forma mais genuína de amar. Sim, amar tem muitas formas. Não é um julgamento às mães que tratam as filhas como princesas, é um pedido, um apelo, um convide a se pensar e debater. Porque de princesas o mundo foi ficando cheio de machismo, agressão, depressão e violência. Vamos tentar crescer juntas com as nossas meninas únicas, fortes, não padronizadas, criativas, cheias de amor, personalidade, escolhas... bem como nossos meninos.

Vamos tentar deixar elas escolherem. Até se elas quiserem ser princesas, se essa for a escolha, vamos tentar aceitar e estar junto delas quando descobrirem que o cavalo não é branco, que não são obrigadas a casar, nem a ter filhos, nem a não casar e a não ter filhos, fingindo uma vida inteira que é bem resolvida assim... E, acima de tudo, vamos salvar as meninas de um destino cheio de encantos e ilusões. Que a vida é feita de porrada e tombo, não é de brilho não...


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Manual do Bebê Clichê (isso vai acontecer com você)


Enjôo, dor de cabeça, muito sono, estria, quadril eclipse, mancha na pele, peito rachando... algumas mocinhas devem saber que isso é dádiva perto do que vai acontecer com você quando descobrirem que tem um bebê aí dentro. A capacidade de uma mulher se tornar PHD da SUA vida a partir da gravidez DELA é diretamente proporcional à sua falta hormonal de paciência, advinda da progesterona em excesso (essa safada). Por isso, vamos desenvolver aqui, juntas, alguns truques para diminuir ou até mesmo eliminar a opinião alheia na sua vida e na vidinha que cresce dentro de você, a fim de evitar a fadiga, essa constante.
Vc já sente alguma coisa, amiga? Cinto.
Para começar o Manual do Bebê Clichê, observe e anote algumas frases e prepare-se para ligar o alerta assim que elas tropicarem na sua frente, nesse longo dia a dia que vai durar muito mais que nove meses. Assim que ouvir as orações listadas abaixo, acione o plano fuga, o plano choque ou o plano egípcia, que serão melhor explicados em um outro post. Primeiro, a lista:

Você vai ver quando: essa frase geralmente é combinada com citações temporais e sempre vem casada à ameaça do futuro, do depois, como se agora já não existisse mais e como se a tendência máxima e única da sua vida fosse o depois, que irremediavelmente vai piorar. Você vai ver quando nascer, quando fizer um ano, quando entrar na fase das perguntas, quando a bolsa estourar, quando o peito empedrar... e por aí vai. É engraçado ver que funciona com uma assumidade impecável para filhos mas, para outras experiências da vida, que comportam a sua individualidades nelas, não se aplica. Viajar para um mesmo lugar, por exemplo, rende experiências diferentes para duas pessoas também diferentes. Ter filhos não. Você vai obrigatoriamente passar por aquilo que a outra pessoa passou, independente do seu jeito de lidar com a vida. Se liga!
Já sabe se: Coisa chata é o outro querendo saber sobre coisas que não são racionalmente previsíveis e realmente não tem importância agora. A mania da ansiedade quer tomar conta de tudo. Uma criança só pode ser menino ou menina, não temos ainda um terceiro gênero, mesmo que a opção sexual seja escolhida depois e pelo próprio serzinho. Não importa agora o que é. Não vai mudar nada na sua vida até porque não teremos quartinho rosa ou azul, pepeca ou pipiu, boneca ou carrinho. É um ser humano completo, maior, indivíduo grandioso e único isso que vem aí. Quando vai nascer, como vai chamar, onde vai morar, pra qual time vai torcer, onde vai estudar, parto normal ou cesária, na bacia ou na banheira, vai deixar comer doce, galinha pintadinha... Todas, repito, tooodas as opções são completamente alheias aos pais. Tudo vai ser pensado e escolhido pela própria criança, que é a vida em si, latente, berrante, urgente de tudo e de todos e que nos ensina muito mais a viver do que nós a ela. Portanto, foda-se você com sua pressa. Deixa ser que ser é muito mais bonito que estar. E se tem uma coisa que não dá pra garantir quando uma vida chega é um estado único e padrão para esse pequeno tudo que a gente conhecia. 
Princesinha é o caráleo: meu nome é Jorge.
Então tem que: a história do gosto é que nem bumbum deveria servir pra tudo na vida. Amor cada um sente o seu, medo, solidão, vontade de viajar, curiosidade sobre a vida, desejo sexual, escolha de voto, formação de pensamento... todos os sentidos e sentimentos são experimentados por cada indivíduo de maneira única e particular. Apesar da busca insana do ser humano por encontrar pares, tribos, por ser aceito e portanto, por encontrar pessoas que também acham aquilo, e só aquilo, normal e genuíno, chega a um ponto um tanto quanto incômodo quando o assunto é gravidez.
Não, não tem que fazer ioga, não tem que comer brócolis, não tem que acordar de frente pro sol, não tem que nada. Tem que se descobrir, se deixar ter ou não ter isso ou aquilo. A hora mais bonita da vida é essa em que uma alminha te faz mergulhar pra dentro de si mesma e para fora, absurdamente para fora de si mesma, para se ressignificar, se rever, se ser de novo, de outro jeito, se nascer para conseguir ajudar outra pessoa a nascer. E nessa hora, se a gente segue um manual padronizado da sociedade, se seguimos os passos seguros do outro, perde-se a beleza de descobrir a imensidão que é você e seus medos, suas alegrias, suas angústias, essas coisinhas bobas que te fazem ser alguém, em primeiro lugar, muito antes de ser mãe de alguém. Não tem que ser nem saber nada. Tem que se deixar descobrir, apenas. Errar e acertar é ser. Fazer e desfazer é estar.
Mulheres sem bico do peito tendem a alimentar as crianças com bolacha.
Já a mídia despecializada, pra fechar o papo, evite completamente, pelo amor de deos. E a não midia também. Não leia nada sem desconfiar, nem esse blog, nem esse texto, nem linha nenhuma sobre a SUA gravidez. Vai se ser, se experimentar e se deixar existir inteira pra esse bebê chegar lindo, saudável, inteligente, educadinho, perfeitinho, puxando as coisas boas do pai e esse sorriso lindo da mãe. Aliás, já decorou o quartinho? 

Mentira. Se joga, grávida Diva... a gente vai sair dessa viva e muito mais feliz.

Beijos sem ira,
Mamai.

 
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